{"id":72449,"date":"2015-05-28T23:02:11","date_gmt":"2015-05-29T02:02:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.dbike.org\/instituto\/?p=72449"},"modified":"2018-08-01T11:42:42","modified_gmt":"2018-08-01T14:42:42","slug":"era-uma-vez-minha-querida-bicicleta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dbike.org.br\/?p=72449","title":{"rendered":"Minha Querida Bicicleta"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">\u00c9 muito prov\u00e1vel que a maioria de n\u00f3s j\u00e1 teve o prazer de pedalar em alguma fase da vida. \u00c9 muito comum encontrarmos aqueles que ganharam quando crian\u00e7a o primeiro ve\u00edculo de tra\u00e7\u00e3o humana que pode ter sido um triciclo, tico-tico, velotrol (diferentes nomes para o mesmo objeto) daqueles de tr\u00eas rodas, e isso exclui os carros e motos em miniatura el\u00e9tricos ou n\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignleft\" src=\"https:\/\/dbike.org\/instituto\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/150528_001.jpg\" alt=\"mobilidade urbana\" width=\"300\" height=\"200\" \/>Esses presentes t\u00eam uma fun\u00e7\u00e3o muito clara na nossa inf\u00e2ncia. S\u00e3o apenas mais um brinquedo, mas bem que poderiam passar a ser entendidos como ve\u00edculos de tra\u00e7\u00e3o humana ou, mais acertadamente, objetos a serem utilizados como meio de transporte ao longo da vida. Acontece que do tico-tico se passa a uma bicicletinha de rodinhas, depois a uma bicicletinha sem rodinhas, depois a uma bicicleta maior, e da\u00ed&#8230; Ao carro zero quil\u00f4metro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">N\u00e3o \u00e9 assim sempre. Digo isso porque uma parte de brasileiros e brasileiras que n\u00e3o passa por esse processo deve ser considerada. Mas, at\u00e9 o carro zero tem se tornado realidade para um n\u00famero cada vez maior de pessoas que no tempo presente encontra a op\u00e7\u00e3o de se endividar em pequenas parcelas para o resto da vida. Ent\u00e3o, essas pessoas n\u00e3o pensam duas vezes antes de largar a triste saga do transporte p\u00fablico coletivo (\u00f4nibus, metr\u00f4 etc.) e ingressar no eldorado do carro zero, do sonho da crian\u00e7a que cresceu e abandonou sua querida bicicleta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Ainda, dizem que o problema da mobilidade urbana (esse \u00e9 o nome que se d\u00e1 para o deslocamento de pessoas e produtos nas cidades) \u00e9 o transporte p\u00fablico de m\u00e1 qualidade. Somados a isso o caminho natural para o \u201cmeu carro\u201d e o triste distanciamento da condi\u00e7\u00e3o humana de caminhante, ou pedalante (ambas as situa\u00e7\u00f5es movidas a feij\u00e3o, banana etc.), vamos na dire\u00e7\u00e3o de cidades cada vez mais in\u00f3spitas e desumanizadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignright\" src=\"https:\/\/dbike.org\/instituto\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/150528_002.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/>O que seria de n\u00f3s se cada um na cidade tivesse um carro e usasse-o como modo exclusivo de deslocamento da maneira como quisesse? Ser\u00e1 que ir\u00edamos conseguir sair do lugar? Ademais, o que dizer da polui\u00e7\u00e3o sonora e do ar, do \u00edndice crescente de acidentes no tr\u00e2nsito, dos espa\u00e7os cada vez mais destinados \u00e0s vias e cada vez menos destinados \u00e0s \u00e1reas de lazer, do desencontro com os demais e com a pr\u00f3pria cidade por parte daqueles que se recolhem entre o vidro fum\u00ea e o ar-condicionado?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Nesse contexto surge a bicicleta como uma alternativa \u2014 enquanto meio de transporte, registre-se, ela \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma alternativa &#8211; para esses problemas de degrada\u00e7\u00e3o das cidades. Por\u00e9m, apesar de seu uso como meio de transporte estar na moda, a grande maioria de n\u00f3s acha lindo mas tem pouca coragem ou iniciativa de faz\u00ea-lo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Voltemos ao ponto do abandono da querida bicicleta!<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Conheci recentemente duas cidades com culturas diferentes (nem melhores nem piores, apenas diferentes) onde a bicicleta \u00e9 considerada como algo <\/span><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/150528_003.jpg\" rel=\"wp-vide-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignleft\" title=\"Tela a \u00f3leo, por Leonid Afremov\" src=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/150528_004.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"443\" \/><\/a><\/span><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">indissoci\u00e1vel da vida de cada cidad\u00e3o: Amsterd\u00e3, na Holanda, e <\/span><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Copenhagen, na Dinamarca. A visibilidade que as bicis (bici: um trato carinhoso e bem <\/span><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">brasileiro) ganham nas ruas pode parecer surreal para qualquer <\/span><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">desavisado. Acontece que essas s\u00e3o duas das cidades do mundo mais amigas da bicicleta. E isso n\u00e3o \u00e9 apenas uma voca\u00e7\u00e3o, mas uma realidade que s\u00f3 se tornou poss\u00edvel com o engajamento de todos os habitantes, desde os governantes at\u00e9 aqueles que ensinam o significado da bicicleta para os seus filhos. L\u00e1 as crian\u00e7as desde muito novas, na idade dos nossos pequenos do ciclo 1, ganham a bicicleta de equil\u00edbrio, que nada mais \u00e9 que uma bici de madeira sem pedais. Com ela as crian\u00e7as iniciam suas habilidades de ciclistas desde cedo a fim de continuar a tradi\u00e7\u00e3o de seus pais que n\u00e3o abandonaram a querida bicicleta na fase adulta. O equil\u00edbrio \u00e9 o primeiro passo para o aprendizado que dispensa os triciclos e as rodinhas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Tanto em Amsterd\u00e3 quanto em Copenhagen, o n\u00famero de viagens di\u00e1rias realizadas em bicicleta gira em torno de 50% do total. Nessas cidades existem condi\u00e7\u00f5es muito favor\u00e1veis de ambi\u00eancia urbana e conviv\u00eancia respeitosa no tr\u00e2nsito, e, pode-se dizer que tanto elas quanto seus cidad\u00e3os est\u00e3o preparados para o uso seguro, vers\u00e1til e eficiente da bicicleta como meio de transporte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">A principal distin\u00e7\u00e3o entre as duas cidades europeias e as cidades brasileiras, em termos de forma urbana, \u00e9 a extens\u00e3o do territ\u00f3rio. De certa maneira isso dificulta aqui o uso da bicicleta como modo principal de transporte para vencer grandes dist\u00e2ncias, mas n\u00e3o o seria se houvesse integra\u00e7\u00e3o com os demais modos de transporte. Esses fatores somados a outros fazem com que o n\u00famero de viagens di\u00e1rias realizadas em bicicleta no Brasil gire em torno de 7% do total. J\u00e1 a principal semelhan\u00e7a conosco \u00e9 a quantidade de bicicletas por habitante. O que pode fazer de n\u00f3s tamb\u00e9m um pa\u00eds das bicicletas, mesmo sem nos darmos conta disso, bem como pode comprovar que as nossas ficam mesmo guardadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Mal comparando Bras\u00edlia com as duas cidades europeias, pois de certo h\u00e1 uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es estruturais que as diferenciam, gostaria de falar da minha experi\u00eancia como ciclista nessa cidade. Antes morava em outra de 200 mil habitantes (quase 1\/10 de Bras\u00edlia) onde havia infraestrutura ciclovi\u00e1ria e melhores condi\u00e7\u00f5es de ambi\u00eancia urbana, em fun\u00e7\u00e3o disso tinha a bicicleta como meu modo exclusivo de transporte. Chegando a Bras\u00edlia usei de um princ\u00edpio estrat\u00e9gico para continuar usando a bicicleta: morar perto do trabalho. As primeiras tentativas foram amedrontadoras diante do tr\u00e2nsito enlouquecido e da constata\u00e7\u00e3o de que Bras\u00edlia era mesmo uma cidade dos autom\u00f3veis. Felizmente a vontade inicial prevaleceu. Passei a usar diferentes t\u00e1ticas de comportamento e me adaptei ao tr\u00e2nsito (obedecendo \u00e0s regras do C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro) fazendo com que a bicicleta voltasse a ser meu principal (n\u00e3o mais exclusivo) modo de transporte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt; color: #333333;\"> Sim, \u00e9 poss\u00edvel!<\/span><br \/>\n <span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt; color: #333333;\">Por que n\u00e3o contar para as nossas crian\u00e7as que a bicicleta pode ser entendida como ve\u00edculo, e que podem optar por ela por toda a vida?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\"><em>Fonte: Revista Bicicleta, edi\u00e7\u00e3o 29\/03<\/em><\/span><br \/>\n <span style=\"font-family: tahoma,arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\"><em>Autor: Claudio Oliveira da Silva<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 muito prov\u00e1vel que a maioria de n\u00f3s j\u00e1 teve o prazer de pedalar em alguma fase da vida. \u00c9 muito comum encontrarmos aqueles que ganharam quando crian\u00e7a o primeiro ve\u00edculo de tra\u00e7\u00e3o humana que pode ter sido um triciclo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":72453,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-72449","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-instituto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/72449","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=72449"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/72449\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/72453"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=72449"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=72449"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=72449"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}