{"id":72532,"date":"2015-06-04T22:34:41","date_gmt":"2015-06-05T01:34:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.dbike.org\/instituto\/?p=72532"},"modified":"2018-08-01T11:57:37","modified_gmt":"2018-08-01T14:57:37","slug":"cliche-do-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dbike.org.br\/?p=72532","title":{"rendered":"O Clich\u00ea do Medo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/dbike.org\/instituto\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/thiago-trilhando000.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignleft\" style=\"margin-bottom: 10px;\" src=\"https:\/\/dbike.org\/instituto\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/thiago-trilhando000.jpg\" alt=\"mobilidade urbana\" width=\"200\" height=\"246\" \/><\/a>Uma vez uma pessoa leu a sinopse do meu <a href=\"http:\/\/www.extremos.com.br\/ebooks\/2014\/trilhando_sonhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">livro<\/a> e disse, num coment\u00e1rio escrito, que o livro era bom apesar dos clich\u00eas. Eu pensei: \u201cMas minha vida tamb\u00e9m \u00e9 cheia de clich\u00eas!\u201d. Acho que a vida de todo mundo tem uma boa quantidade disso. Enfim, gente comum, vida comum\u2026 coisas em comum. Tem sempre algu\u00e9m vivendo pela primeira vez algo que muita gente j\u00e1 viveu, mas nem por isso deixa de ser emocionante ou bom.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Mas, de certa forma eu me recuso a acreditar que uma experi\u00eancia como a que vivi tenha tantos clich\u00eas assim. Pode ter clich\u00eas espec\u00edficos de quem viaja de bicicleta, mas, muito provavelmente fogem do senso comum.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Bom, mas vamos ao assunto do t\u00f3pico de hoje.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Via de regra, muitos dos e-mails que recebo come\u00e7am com a seguinte pergunta: \u201cMas voc\u00ea nunca foi assaltado?\u201d. \u00c9 estranho, mas \u00e9 verdade. Diante de um universo todo de coisas fascinantes que algu\u00e9m tem acesso quando sai pra estrada numa bicicleta as pessoas ainda querem saber sobre viol\u00eancia!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/dbike.org\/instituto\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/thiago-trilhando001.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando aligncenter\" src=\"https:\/\/dbike.org\/instituto\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/thiago-trilhando001.jpg\" alt=\"mobilidade urbana\" width=\"700\" height=\"465\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Acampando ao lado da rodovia no Peru<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Eu sempre digo: \u201cn\u00e3o, nunca fui assaltado\u201d. Ser\u00e1 que foi sorte? -me pergunto. N\u00e3o sei se \u00e9 sorte, mas o fato \u00e9 este. Viajei por um ano, passando por todo tipo de lugar existente, acampando sozinho e confiando em estranhos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/dbike.org\/instituto\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/thiago-trilhando002.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignright\" src=\"https:\/\/dbike.org\/instituto\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/thiago-trilhando002.jpg\" alt=\"mobilidade urbana\" width=\"300\" height=\"199\" \/><\/a>Ent\u00e3o iniciei uma breve pesquisa pra saber se eu era um afortunado solit\u00e1rio, um ser aben\u00e7oado e iluminado. Gra\u00e7as a minha viv\u00eancia na estrada tive a oportunidade de conhecer outras pessoas que fizeram coisas semelhantes a que fiz. Trocando id\u00e9ias com essas pessoas percebi que tinham impress\u00f5es parecidas com as minhas: principalmente a de que o mundo \u00e9 bom e as pessoas n\u00e3o querem te passar pra tr\u00e1s todas as vezes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Ceia de Natal com Vincent em Cerro de la Gl\u00f3ria \u2013 Argentina. Vinho e um rocambole que ganhamos de um comerciante local no dia 55 da viagem. (Foto de Vincent Degove)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A\u00ed eu pensei: \u201cSer\u00e1 que \u00e9 uma inseguran\u00e7a tipicamente brasileira?\u201d Em parte, pode ser. N\u00e3o da pra negar que vivemos num pa\u00eds violento. Principalmente nos grandes centros urbanos o n\u00famero de homic\u00eddios, por exemplo, \u00e9 consider\u00e1vel, mas vem caindo tamb\u00e9m consideravelmente na \u00faltima d\u00e9cada. Mas a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simples assim. Existe viol\u00eancia em Buenos Aires e em Santiago do Chile tamb\u00e9m.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Este deve ser o ponto: as grandes cidades. Quando eu estava na Argentina duas brasileiras foram assaltadas num ponto tur\u00edstico de Buenos Aires. Quando eu estava no Chile um casal de brasileiros foi assaltado em Santiago. Ser\u00e1 o clich\u00ea da viol\u00eancia?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/dbike.org\/instituto\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/thiago-trilhando003.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando aligncenter\" src=\"https:\/\/dbike.org\/instituto\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/thiago-trilhando003.jpg\" alt=\"mobilidade urbana\" width=\"700\" height=\"394\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Caf\u00e9-da-manh\u00e3 com queijo e leite presenteados pelos irm\u00e3os chilenos quando acampei em sua propriedade. \u00c0s margens da rodovia panamericana (dia 228). (Foto de Olivier Peyre)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Como passei ileso por todas as grandes cidades sul-americanas? Como meus amigos cicloturistas tamb\u00e9m conseguiram? Ser\u00e1 que Deus projete os b\u00eabados, as crian\u00e7as e os cicloturistas?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Conhe\u00e7o hist\u00f3rias de cicloturistas em apuros, mas s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es absolutas. Meus amigos Eliana e Rodrigo, do Clube de Cicloturismo tiverem alguns equipamentos furtados na Bol\u00edvia. O cicloviajante Rafael Limaverde caiu numa arapuca, teve seu cart\u00e3o banc\u00e1rio roubado no Peru e por pouco n\u00e3o ficou no preju\u00edzo. Tamb\u00e9m me lembro de um norte-americano que teve todo seu equipamento roubado em El Chalt\u00e9n, na Argentina. \u00c9 poss\u00edvel que eu, na minha inoc\u00eancia de quem estava vivendo um grande sonho, tenha visto somente o que estava predisposto a ver? Se for isso pode significar que eu tenha uma vis\u00e3o positiva demais do mundo. Isso deve ser bom!? Por\u00e9m, as pessoas boas que cruzaram meu caminho n\u00e3o eram personagens de fic\u00e7\u00e3o! Quantas vezes me ajudaram!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Quando cruzei a BR-364, que liga o Acre ao estado de Rond\u00f4nia me disseram que eu era louco e que nem mesmo motociclistas se arriscam a passar por ali sozinhos. Sinceramente? Eu duvido! Sabem quantas vezes me senti em risco? Nenhuma! Pelo contr\u00e1rio, tive dias muito tranquilos e que me presentearam com uma noite incr\u00edvel, a qual culminou com um grupo de crian\u00e7as me rodeando, ouvindo atentamente tudo que eu dizia, fascinados pela bicicleta, onde ganhei um espa\u00e7o pra acampar e um prato quente de comida. Isso foi num posto de combust\u00edveis \u00e0s margens da perigosa rodovia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Meu amigo Vincent tamb\u00e9m viajou um ano de bicicleta pela Am\u00e9rica Latina. Foi at\u00e9 Cuba\u2026 e teve sua bicicleta roubada em Paris! Clich\u00eas equivocados!?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/dbike.org\/instituto\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/thiago-trilhando004.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignleft\" src=\"https:\/\/dbike.org\/instituto\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/thiago-trilhando004.jpg\" alt=\"mobilidade urbana\" width=\"300\" height=\"381\" \/><\/a>O professor Waldo e seus alunos e a escola p\u00fablica onde passei a noite do dia 279. Chita \u2013 Bol\u00edvia<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Como podem ver tenho muito mais perguntas que respostas. Voltei assim da minha viagem. Mas tenho uma certeza. Se voc\u00ea n\u00e3o for nunca vai saber. O medo que te aliena n\u00e3o te salva do mundo. Voc\u00ea tem que se libertar dos clich\u00eas alheios pra se tornar um cicloviajante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Um viajante em cima de uma bicicleta carregada \u00e9 algo diferente, incomum. \u00c9 diferente de um mochileiro a p\u00e9 ou mesmo algu\u00e9m viajando de carro. Este deve ser o ponto fundamental: a bicicleta. Ela faz toda a diferen\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><strong>De forma mais pr\u00e1tica o comportamento de quem viaja \u00e9 fundamental, principalmente se voc\u00ea estiver sozinho.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O que eu fazia era tentar ser o mais discreto poss\u00edvel. N\u00e3o me vestia com roupas muito coloridas, t\u00edpicas de competi\u00e7\u00e3o de ciclismo. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de se vestir como um velocista! Meus alforjes e a bicicleta eram de cores neutras. Mantinha cameras e equipamentos eletr\u00f4nicos bem guardados. O GPS, apesar de ficar no guid\u00e3o era envolto numa capa que o escondia quase completamente e era facilmente removido se necess\u00e1rio. Minha bicicleta n\u00e3o era impecavelmente limpa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Em v\u00e1rias ocasi\u00f5es evitei acampar pelas ruas das cidades. Quando era inevit\u00e1vel eu me afastava da cidade e depois da rodovia, o suficiente para n\u00e3o ser facilmente visto. Em uma ocasi\u00e3o, na Amaz\u00f4nia peruana, depois de n\u00e3o ter conseguido hospedagem num povoado, segui o caminho pra fora da cidade e esperei anoitecer. Desta forma montei acampamento no escuro e ningu\u00e9m sabia que eu estava l\u00e1, a poucos metros da rodovia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Raramente me afastava da bicicleta, mesmo quando entrava num estabelecimento comercial mantinha o contato visual com ela. V\u00e1rias vezes, em pequenas pousadas, dormi com a bicicleta dentro do quarto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><strong>Deixar claro que voc\u00ea \u00e9 brasileiro e n\u00e3o um\u00a0<\/strong><em><strong>gringo<\/strong><\/em><strong>\u00a0tamb\u00e9m facilita muito a sua vida, especialmente na Am\u00e9rica do Sul.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Outro item importante \u00e9 ficar atento \u00e0s pessoas ao seu redor.\u00a0Presen\u00e7as estranhas e olhares que v\u00e3o al\u00e9m de mera curiosidade s\u00e3o a dica pra procurar outro lugar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Essas dicas parecem bobagem, mas basta deixar de lado uma delas e voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 dando chance para o azar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Se voc\u00ea se sentir seguro vai estar mais a vontade e desta forma estar\u00e1 mais incorporado ao ambiente que estiver. Vai aproveitar todos os benef\u00edcios de utilizar este meio\u00a0m\u00e1gico\u00a0de viajar que\u00a0\u00e9\u00a0a bicicleta, que mais que qualquer medo serve para aproximar as pessoas. Depois voc\u00ea pode contar sua hist\u00f3ria, com ou sem seus clich\u00eas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/dbike.org\/instituto\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/thiago-trilhando005.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando aligncenter\" src=\"https:\/\/dbike.org\/instituto\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/thiago-trilhando005.jpg\" alt=\"mobilidade urbana\" width=\"700\" height=\"466\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Dona Joana e os filhos. Uma compra de ovos que virou uma acolhida carinhosa da gente simples do interior argentino. (dia 56)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><strong>Duas hist\u00f3rias<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Claro que n\u00e3o d\u00e1 pra ficar s\u00f3 esperando que as pessoas te tratem bem se voc\u00ea n\u00e3o faz o mesmo. Escreveram at\u00e9 um livro sobre isso. N\u00e3o li mas conhe\u00e7o bem o assunto. Ser agressivo, \u201creclam\u00e3o\u201d, carrancudo ou fechado demais n\u00e3o ajuda. A rela\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o \u00e9 uma via de m\u00e3o \u00fanica. Mais cedo ou mais tarde voc\u00ea vai ter que se expor e confiar em algu\u00e9m.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Tenho duas hist\u00f3rias que est\u00e3o no <a href=\"http:\/\/www.extremos.com.br\/ebooks\/2014\/trilhando_sonhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">livro<\/a> que exemplificam o que estou querendo dizer:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[\u2026] Aproximei-me do rapaz que estava\u00a0trabalhando, contei minha hist\u00f3ria e pedi um lugar para montar minha\u00a0barraca. Seu nome era Igor e enquanto eu olhava a quantidade enorme de\u00a0adesivos que muitos viajantes colocaram aos poucos na porta do posto,\u00a0conversava com ele. Aos poucos contei um pouco da viagem e ganhei a\u00a0confian\u00e7a de Igor. Na verdade pude perceber sua express\u00e3o mudando aos\u00a0poucos enquanto eu falava sobre o que estava disposto a fazer. Ficou\u00a0admirado e me confessou que seu grande sonho era viajar tamb\u00e9m, mas\u00a0at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o havia encontrado tempo para poder sair<\/span><br \/>\n <span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"> dali. Perguntei se era poss\u00edvel acampar ao lado do posto\u00a0e ele me sugeriu uma constru\u00e7\u00e3o abandonada que h\u00e1\u00a0muitos anos foi um enorme restaurante. Coloquei a barraca\u00a0dentro da constru\u00e7\u00e3o. Apesar de o lugar estar um\u00a0pouco sujo, havia teto e assim poderia usar somente a\u00a0parte de dentro da barraca \u2013 a barraca era constitu\u00edda de\u00a0duas partes principais: a parte de dentro, com o ch\u00e3o,\u00a0mosqueteiro e estrutura de alum\u00ednio; e a parte de fora, que era basicamente\u00a0uma prote\u00e7\u00e3o contra vento, chuva e sol \u2013 pois n\u00e3o teria problemas\u00a0com vento ou chuva.<\/span><br \/>\n <span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"> Voltei para a loja do posto e ent\u00e3o a esposa de Igor, Juliane,\u00a0apareceu e come\u00e7amos conversar. Mais tarde, uma surpresa. Me convidaram\u00a0para acampar em sua garagem. Viviam numa casa ao lado do\u00a0posto. Igor, bem espont\u00e2neo falou: \u201cColoca sua barraca na minha\u00a0garagem vai! A gente janta e assiste a novela juntos\u201d. Incr\u00edvel, pensei.\u00a0Transferi na mesma hora e sentei \u00e0 sua mesa para jantarmos. Depois\u00a0conversamos por horas e horas. O mais surpreendente foi que confiaram\u00a0tanto em mim que em momento algum trancaram a porta que dava acesso\u00a0\u00e0 cozinha, pelo contr\u00e1rio, disseram que poderia entrar se sentisse sede.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Desta vez confiaram em mim. Na pr\u00f3xima seria a minha vez:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[\u2026] Na manh\u00e3 do dia seguinte, 8 de setembro, fui ao porto para embarcar\u00a0para a ilha. Quando estava \u00e0s margens do lago percebi que seria\u00a0um desperd\u00edcio de energia levar minha bicicleta com todas as minhas\u00a0coisas \u00e0 ilha somente para permanecer poucas horas l\u00e1. Foi ent\u00e3o que um\u00a0dos funcion\u00e1rios bolivianos da empresa de turismo sugeriu que talvez eu\u00a0pudesse deixar a bicicleta e a bagagem no escrit\u00f3rio deles. Bom, mais\u00a0uma vez tive que confiar nas pessoas de olhos fechados. Deixei tudo que\u00a0tinha dentro do escrit\u00f3rio da empresa \u00e0 vista de todos na rua. O clima do\u00a0lugar nos convida a fazer coisas assim. Nem pensei muito. Embarquei\u00a0rumo a tal Ilha do Sol.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[\u2026]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Decidi ficar uns dias. N\u00e3o sabia quantos ainda. Minha preocupa\u00e7\u00e3o\u00a0era minha bicicleta que havia ficado no escrit\u00f3rio da ag\u00eancia de\u00a0turismo e com toda a minha bagagem, exceto\u00a0minha c\u00e2mera fotogr\u00e1fica, filmadora e documentos. Estava preocupado,\u00a0mas avisei o pessoal do barco que ficaria e tamb\u00e9m pedi um favor a um\u00a0casal argentino, que havia conhecido no barco, que dessem uma olhadinha\u00a0na bicicleta para mim. Hoje penso na loucura que fiz deixando\u00a0tudo l\u00e1, mas tamb\u00e9m fico feliz que tenha confiado em\u00a0algu\u00e9m e que tudo tenha acabado bem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Voltei ao escrit\u00f3rio da ag\u00eancia, a duas horas de barco dali, somente dois dias depois para buscar a bicicleta. Neste dia foi a minha vez de confiar em estranhos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O mundo \u00e9 bom, Sebasti\u00e3o!!!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><span style=\"color: #ff6600; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif;\"><em>Compre o livro, conhe\u00e7a Thiago atrav\u00e9s de sua contagiante aventura.\u00a0<\/em><br \/>\n <span style=\"color: #008080;\"><em>Edi\u00e7\u00f5es impressas e digitais.<\/em><\/span><br \/>\n <a href=\"https:\/\/dbike.org\/instituto\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/livro-trilhandosonhos002.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignleft\" src=\"https:\/\/dbike.org\/instituto\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/livro-trilhandosonhos002.jpg\" alt=\"mobilidade urbana\" width=\"400\" height=\"400\" \/><\/a><\/span><\/strong><\/span><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><\/p>\n<div class=\"lizatom-3d-buttons-btn_container\"><a class=\"lizatom-3d-buttons-lightorange lizatom-3d-buttons-button\" href=\"http:\/\/www.extremos.com.br\/ebooks\/2014\/trilhando_sonhos\/\" target=\"_blank\"><span class=\"lizatom-3d-buttons-button_txt\">Quero o meu!<\/span><span class=\"lizatom-3d-buttons-a-btn-icon-right\"><span class=\"lizatom-3d-buttons-right_icon1\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dbike.org.br\/instituto\/wp-content\/plugins\/lizatom-shortcodes\/css\/3dbuttons\/bookmark.png\" \/><\/span><\/span><\/a><\/div>\n<p><\/span><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><span style=\"color: #ff6600; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif;\"><br \/>\n <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"color: #33cccc;\"><a href=\"http:\/\/www.trilhasulamericana.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.trilhasulamericana.com.br\/<\/a><\/span><br \/>\n <span style=\"color: #33cccc;\"><a href=\"http:\/\/cicloviajante.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.icloviajante.com.br\/<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vez uma pessoa leu a sinopse do meu livro e disse, num coment\u00e1rio escrito, que o livro era bom apesar dos clich\u00eas. Eu pensei: \u201cMas minha vida tamb\u00e9m \u00e9 cheia de clich\u00eas!\u201d. Acho que a vida de todo mundo tem uma boa quantidade disso. Enfim&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":72630,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,52],"tags":[],"class_list":["post-72532","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-instituto","category-trilhando-sonhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/72532","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=72532"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/72532\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/72630"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=72532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=72532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dbike.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=72532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}